Problemas e potencialidades<br>da floresta
Os deputados do PCP no Parlamento Europeu promoveram no sábado, 14, em Viseu, uma audição pública sobre o tema «Uma floresta ao serviço do País e do progresso social».
Governos serviram industriais e grandes proprietários florestais
Inserida nessa actividade, no dia 13 de Março e na manhã do dia 14, Inês Zuber cumpriu em diversos concelhos do distrito um programa específico de contactos com entidades ligadas ao sector da floresta. Assim, no dia 13, foi recebida na LusoFinsa, em Nelas, unidade industrial que utiliza processos pioneiros de transformação da madeira; no mesmo dia, realizou-se uma reunião com os Bombeiros Voluntários de Mortágua, corporação que actua na mais densa mancha de floresta de eucalipto da Península Ibérica; os contactos de Inês Zuber terminaram no Caramulo, ouvindo a Associação dos Produtores de Mel da Serra do Caramulo sobre as consequências para o sector melífero dos devastadores incêndios que dizimaram a Serra em 2013.
O dia 14 iniciou-se com a visita de Inês Zuber ao baldio de Routar, Torredeita. Aí, a deputada pôde verificar no terreno o trabalho desenvolvido e como as receitas foram e são investidas na melhoria da floresta, na criação de infra-estruturas de prevenção e combate aos incêndios e numa vastíssima obra de desenvolvimento económico, social e cultural. Na reunião que se seguiu com a direcção da Balflora (Secretariado dos Baldios do Distrito de Viseu), foram elencados os efeitos da nova lei aprovada pelo Governo PSD/CDS, para a posse e gestão destes terrenos comunitários.
Proteger os poderosos
Da parte da tarde, a audição pública, presidida por Inês Zuber, contou com a presença de várias dezenas de pessoas. O deputado Miguel Viegas introduziu o debate, salientando a importância da floresta para a nossa economia e o desenvolvimento do País.
Os convidados relataram, durante mais de duas horas, com exemplos vivos, a realidade da agricultura familiar e dos pequenos e médios agricultores. Centradas na problemática da floresta, as intervenções abordaram temas tão diversos como a cartelização da madeira, a eucaliptização, a política de preços, os incêndios, as pragas, o ordenamento do território, o cadastro, os fundos nacionais e europeus de apoio à floresta.
Pelos intervenientes foi sublinhada a falta de capacidade de resposta a todos estes problemas por parte dos sucessivos governos de PS, PSD e CDS e, em particular, do Ministério da Agricultura. Foi ainda referida a implementação de políticas que favorecem os grandes proprietários agrícolas e industriais ligados ao sector, bem como a falta de transparência, que acompanham muitas das decisões dos governantes.
No encerramento dos debates, o deputado João Ferreira fez um balanço da actividade dos deputados na CDU no Parlamento Europeu sobre a Floresta.
Falta vontade política
Na intervenção final, João Frazão, da Comissão Política do Comité Central do PCP, começou por salientar que a floresta portuguesa ocupa 3,1 milhões de hectares (35 por cento do território nacional), garante mais de 117 mil postos de trabalho directos, representa 1,8 por cento do PIB, e apresenta um saldo da balança comercial positivo de 2,5 mil milhões de euros.
«Não foi e não é por falta de legislação que não há apoios e há atrasos na resolução de problemas sérios da floresta portuguesa. O que falta é vontade política de, com os proprietários florestais, com os compartes dos baldios, com os conselhos directivos, com os que intervêm no sector, apoiar e financiar uma política florestal», sublinhou o dirigente do PCP.
Também neste sector, disse a concluir João Frazão, é necessária uma ruptura com as políticas seguidas pelos governos nos últimos 38 anos. O PCP tem propostas para uma estratégia florestal. Propostas essas que deverão estar no centro de um debate plural e aberto com todos os democratas e patriotas empenhados nessa ruptura e na construção de uma política patriótica e de esquerda que o PCP defende e propõe para Portugal.